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Fármacos geram disfunção sexual feminina

domingo, 3 de outubro de 2010

LONDRES - Os laboratórios ajudaram a "gerar" quadros clínicos, como a disfunção sexual feminina, para desenvolver um mercado global de novos remédios, segundo um artigo publicado na última quinta-feira na revista British Medical Journal.


No texto, o jornalista e acadêmico Ray Moynihan, da Universidade de Newcastle, na Austrália, mostra as conclusões que chegou enquanto pesquisava para escrever seu quarto livro, "Sex, Lies and Pharmaceuticals" ("Sexo, Mentiras e a Indústria Farmacêutica", em tradução livre).


Moynihan questiona as empresas por considerar que elas subsidiam "a ciência de uma nova condição conhecida como 'disfunção sexual feminina'", e diz que o setor contribui para o desenvolvimento de novos remédios em todo o mundo.


Em seu trabalho, o jornalista descobriu que funcionários da indústria farmacêutica tinham trabalhado com empresas de pesquisa de opinião pagas para ajudar a "criar" a doença. Estudos realizados posteriormente teriam comprovado que esse quadro clínico cresceu.


O australiano considera, além disso, que os pesquisadores elaboraram ferramentas de diagnóstico para convencer as mulheres de que suas dificuldades sexuais merecem "um rótulo médico e um tratamento".


Dessa forma, Moynihan diz que as estratégias de marketing das farmacêuticas "estão emergindo na ciência médica de uma forma fascinante e aterrorizadora". O jornalista, então, pergunta-se se é necessário encontrar um novo enfoque para definir o distúrbio.


Ele cita um empregado de uma empresa que alega que a companhia está interessada em "acelerar o desenvolvimento de uma doença", além de revelar como elas financiam pesquisas que refletem a extensão de problemas sexuais e encontram ferramentas para avaliar as mulheres por seus supostos "transtornos de desejo sexual hipoativo".


De acordo com o artigo, muitos cientistas ligados a essas atividades são empregados das empresas farmacêuticas ou têm interesses econômicos. Ao mesmo tempo, outros relatórios realizados sem financiamento questionam se a propagação da disfunção realmente existiu.


A indústria farmacêutica também tem, atualmente, um papel pioneiro de "educar" tanto profissionais quanto o público sobre essa condição, de acordo com o acadêmico. Moynihan cita como exemplo um curso financiado pela Pfizer e destinado a médicos dos Estados Unidos que argumentava que até 63% das mulheres sofriam distúrbios sexuais e que a testosterona e o sildenafil (componente do Viagra) poderiam ajudá-las, se combinados com terapia.


"Talvez seja hora de reavaliar a forma como o sistema médico define as doenças comuns e recomenda tratamento", afirma. Por outro lado, a médica Sandy Goldbeck-Wood, especialista em psicossexualidade, apontou em comentário à parte no mesmo jornal que, "ao se defrontar com uma mulher chorando, cuja libido desapareceu e que está aterrorizada de perder o casamento, os médicos podem sentir uma pressão imensa para fornecer uma solução imediata e efetiva".


  • O que é Disfunção Sexual Feminina?

Geralmente, ela é definida como uma incapacidade de sentir prazer ou até apresentar dores durante as relações sexuais. No entanto, a disfunção não é uma anormalidade. Se uma mulher apresentar algum destes problemas, com certeza não será a única.

Em um estudo do Dr. Irwin Goldstein, um antigo professor de urologia na Universidade de Medicina de Boston e principal pesquisador de problemas sexuais, 58% das 300 mulheres entrevistadas relataram algum tipo de disfunção sexual, como desconforto durante as relações, secura, necessidade de mais tempo para se excitar e diminuição da capacidade de atingir o orgasmo ou da sensibilidade clitoriana.

Um baixo desejo sexual pode apenas significar cansaço. Um sintoma como a secura vaginal pode aparecer devido à idade e é facilmente remediado com terapia de reposição hormonal ou lubrificantes. O problema pode piorar se o parceiro toma Viagra, Levitra ou Cialis e tem ereções firmes e constantes depois de anos com pouca ereção.

Descobrir a causa ou as causas das dificuldades sexuais da mulher vai ajudá-la a resolvê-las. Muitos dos problemas são reversíveis ou têm tratamento. Mas uma dúvida deve restar em sua cabeça: remédios para disfunção erétil, originalmente desenvolvidos para homens, como Viagra, Levitra ou Cialis podem ajudar? Talvez, já que, os estudos têm sido inconclusivos, embora alguns resultados mostrem que o Viagra pode aumentar a lubrificação em mulheres. Mas o Dr. Renshaw aponta que, por cerca de R$ 30 a drágea, o preço é bem alto comparado ao de um tubo de lubrificante vaginal. Um ponto positivo para as mulheres e que as veias masculinas são muito mais suscetíveis a se contrair e causar problemas de circulação do que as das mulheres. Esta diferença poderia trazer grandes implicações à pesquisa de tratamento com estes remédios.

As causas da disfunção feminina são muitas e variadas, desde depressão e doença crônica até efeitos colaterais de remédios. Mas a esperança é a última que morre, e muitas mulheres com problemas sexuais estão tão ansiosas por uma pílula mágica quanto os homens estão cada vez mais interessados em saber sobre Viagra e outros remédios do tipo. Só o tempo vai dizer se elas terão uma oportunidade igual. Se está preocupada com qualquer aspecto de sua vida sexual, visite seu ginecologista.

4 comentários

DAN MOREYRA disse...

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Lucas Queiroz disse...

Feito

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Um grande abraço e tudo de bom

Lucas Queiroz disse...

Obrigado Rodrigo,

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Rafael Mafagafo já havia dito : A verdade é que eu acho legal o pessoal acessar o site e não deixar um recadinho… eh massa…
eh a mesma coisa que você cagar e não puxar a descarga… porque querendo ou não você usou aquilo, pode ser num momento de merda, mas usou certo? não custa deixar um recadinho falando… legal…

 
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