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Leolo a Senhora Melancolia

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Concorrente oficial em Cannes, Léolo foi saudado pela crítica estrangeira Leolo em 1992 como um dos filmes mais originais já realizados no Canadá, além dos aspectos sócio-políticos o filme retrata casos de psicopatologia família. Vale frisar que se deve ter muita atenção ao assistir o filme, pois a um olhar rotineiro, o enredo parece simples: uma loucura hereditária que vem do avô e passa pelo pai atinge inexorável as quatro crianças da família, pessoas que captam essa mensagem deixam passar uma das verdadeiras criticas do filme a de que a insanidade não é da família, mas da sociedade que se nutre de trabalho desumano e de acintosa pobreza.


Na presença da sociedade selvagem, cada personagem do filme cultiva seu trauma guardado no mais obscuro canto de sua mente, mas com é afirmado no filme de Freud Além da Alma, todo trauma reprimindo tende a sair por uma vertente, corporal ou mental.


Nas cenas da fábrica o Sr. Lauzon aparece sempre só: marca o ponto, come e caminha entre as máquinas como se não houvesse companheiros de trabalho, neste cenário do inferno, um operário suado, sujo, melancólico, mas quase sempre atravessado por um vago sentimento de vergonha, que se repete aberto ou velado nas demais personagens.


Fernand, o irmão mais velho, é um adolescente franzino e sensível, que tem em Léolo um amigo, admirador e ajudante nas andanças pelas ruas em busca de trabalho informal. Após decadência escolar, chegando a passar por salas de aulas onde tinha como companheiros travestis, psicopatas albinos etc. Mas a gota d’água para Fernand foi a humilhação passada em um briga de rua, desse dia em diante vivia com um só objetivo: modelar uma couraça de músculos que o proteja de seu desamparo, chegando a ser dito por Léolo: "O medo tornou-se para meu irmão uma razão de ser". Mas o protagonista ao longo da trama percebe o que Freud afirmava, que o medo está no interior do ser humano e que ele deve ser combatido e não camuflado com montanhas de músculos.


Vemos em Nanette, a irmã mais nova de Léolo um mesmo trauma sofrido pela personagem Cecili do filme de Freud Alem da Alma, cujo um dos vários traumas apresentados no filme foi o de que estava grávida, mas Nanette vai além em um de suas falas no manicômio ela pronuncia "roubaram meu bebê, roubaram meu bebê", nesse momento podemos observar um Léolo angustiado com a visita ao manicômio, sentimento de armadilha que encontra lugar na melancolia de todos.


Mãe de LeoloA mãe gorda além de cuidar da casa e ter um papel materno submete-se aos conselhos de médicos e professores, como subordinada que é, mas luta pela família com as armas que tem, a única que é bem vista por Léolo que chega a dizer que ela é "quente e amorosa"


O avô que vive prazeres pervertidos, no filme passa a idéia de concorrente de Léolo, pois o avô quer Bianca, vizinha da família vista pelo protagonista como o símbolo da Itália, com isso o filme deixa transparecer a negação de Léolo do seu Eu, ao ponto de não se declarar Franco-Canadense.


Léolo Para não aceitando fazer parte, sonha com historias como: sua mãe foi fecundada por um tomate italiano, nega ser filho de seu pai, mecanismos meramente usados por ele para tentar fugir de uma família onde todos, e cada um a seu modo, estão fora de lugar. Fazendo parteAudaciosa melancolia- Leolo de uma família pobre e oprimida de uma cidade grande Léolo se encontra em um abismo de solidão pronunciado por ele "minhas únicas alegrias estão na solidão. Minha solidão é meu palácio, é nela que tenho minha mesa, minha cadeira, minha cama, meu vinho e meu sol. Quando estou sentado fora de minha solidão, estou no meu exílio, estou sentado em terras impostoras."


CONSIDERAÇÕES FINAIS


O filme mostra os traumas de cada componente de uma família oprimida que busca na solidão a alegria que lhe falta que fechados num mundo estreitado pelos imperativos da sobrevivência, os oprimidos não se apoderam do sentimento de indignação contra as injustiças, e incriminam os iguais.


Fonte: Scielo

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Rafael Mafagafo já havia dito : A verdade é que eu acho legal o pessoal acessar o site e não deixar um recadinho… eh massa…
eh a mesma coisa que você cagar e não puxar a descarga… porque querendo ou não você usou aquilo, pode ser num momento de merda, mas usou certo? não custa deixar um recadinho falando… legal…

 
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